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Governança

Política de uso de IA na empresa: modelo em 1 página e como implantar

Política de uso de IA é o documento de uma página que diz quais ferramentas a equipe pode usar, em que conta, com quais dados, quando a resposta exige revisão humana, o que registrar e quem responde. Serve para cumprir a LGPD hoje e preparar a empresa para o PL 2338. Implantar leva de duas a quatro semanas.

Atualizado em · 9 min de leitura

Por Emilly Davantel

A equipe já usa IA. O vendedor cola a planilha de clientes no ChatGPT para escrever uma campanha; a assistente financeira pede ao Gemini para resumir o contrato; alguém testa um agente no WhatsApp pessoal. Nada disso é proibido, mas tudo isso trata dado da empresa e de clientes sem regra. A política de uso de IA resolve o problema sem bloquear a ferramenta: diz o que pode, o que não pode e quem responde. Este guia mostra o que a política cobre, um modelo em uma página com exemplo de redação por seção, o passo a passo de implantação e como ela se liga à LGPD e ao PL 2338. É o documento que a Flow entrega no serviço de governança de IA e que a fundadora mantém na própria operação, com agentes de IA no atendimento e no financeiro.

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O que uma política de uso de IA precisa cobrir?

Seis pontos. Menos que isso deixa buraco; mais que isso ninguém lê. A política diz: quais ferramentas são permitidas; que a conta deve ser corporativa, nunca pessoal; quais dados nunca entram em uma IA; quais respostas exigem revisão humana antes de ir para o cliente ou para o sistema; o que deve ser registrado; e quem é o responsável. Tudo em linguagem de quem executa, não de advogado.

29%
das empresas brasileiras têm política de uso de IA, embora 86% digam que IA é prioridade em 2026 e só 43% treinem a equipe, segundo levantamento citado pela SpaceMoney — fonte: SpaceMoney — Empresas priorizam IA, mas falta treinamento e regras

Quais ferramentas de IA liberar na política?

Libere o que a equipe já usa e que tem plano de equipe com controle de conta: um assistente de texto (ChatGPT, Gemini ou Claude), uma ferramenta de transcrição de reunião, se houver, e os agentes que a própria empresa colocou no ar. Duas ou três ferramentas bastam; cada uma a mais é uma conta para administrar e revogar. O critério de aprovação de uma ferramenta nova cabe em três perguntas: tem plano corporativo com gestão de usuários; permite desligar o uso das conversas para treinamento; e o fornecedor diz onde o dado fica e por quanto tempo. Se uma das respostas é “não sei”, a ferramenta espera.

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Como é o modelo de política de uso de IA em uma página?

A tabela abaixo é o modelo. A coluna da direita traz um exemplo de redação que você pode copiar e adaptar. O documento final cabe em uma página A4 com as seis seções e a assinatura.

Modelo de política de uso de IA: seções e exemplo de redação
SeçãoO que defineExemplo de redação
1. Ferramentas permitidasLista nominal do que pode ser usado e para quê; o resto é proibido até ser avaliado“Ferramentas aprovadas: ChatGPT (conta corporativa) para redação e resumo; Claude (conta corporativa) para análise de documentos; agente de atendimento no WhatsApp da empresa. Outra ferramenta só com aprovação do responsável, por escrito.”
2. Conta corporativaUso só em conta da empresa, com histórico desativado para treinamento quando a ferramenta permitir“É proibido usar conta pessoal para trabalho. A empresa fornece o acesso. A opção de usar as conversas para treinar o modelo fica desligada em todas as contas.”
3. Dados proibidosO que nunca entra em uma IA externa“Nunca inserir: CPF, dados bancários, dados de saúde, senhas, contratos com cláusula de confidencialidade, lista de clientes com contato e qualquer dado de menor de idade. Em dúvida, remova o dado antes de colar.”
4. Revisão humanaQuais saídas exigem conferência de uma pessoa antes de valer“Toda resposta de IA enviada a cliente, lançada em sistema ou usada em decisão sobre pessoa (crédito, contratação, preço) é revisada por um funcionário, que assina a responsabilidade pelo conteúdo.”
5. RegistroO que fica documentado e por quanto tempo“O agente de atendimento guarda o histórico das conversas por 12 meses. Decisões apoiadas por IA sobre clientes são anotadas no cadastro com data e responsável. Incidentes (dado vazado, resposta errada ao cliente) são registrados no mesmo dia.”
6. ResponsávelQuem responde pela política, aprova ferramenta nova e recebe incidentes“Responsável: Carla (sócia). Revisão da política a cada 6 meses ou quando entrar ferramenta nova. Dúvidas e incidentes: carla@empresa.com.br ou mensagem direta.”

Fecha com uma linha de assinatura: “Li, entendi e concordo em seguir esta política”, nome, data. Não é formalidade: é o que transforma o documento em compromisso individual e o que a empresa mostra se um dado vazar.

Como implantar a política de uso de IA passo a passo?

  1. 01

    Faça o inventário do que já é usado

    Pergunte a cada pessoa, sem punição, quais ferramentas de IA usa no trabalho e para quê. Em uma empresa de 20 pessoas aparecem de três a oito ferramentas, metade em conta pessoal. Esse inventário é a base da seção 1.

  2. 02

    Classifique os usos por risco

    Baixo: redação interna, resumo de texto próprio. Médio: resposta a cliente, análise de contrato. Alto: decisão sobre pessoa (crédito, contratação, preço individual) e qualquer uso com dado sensível. Os de alto risco exigem revisão humana obrigatória ou ficam fora da política até existir controle.

  3. 03

    Escreva a política em uma página

    Use o modelo acima. Linguagem direta, exemplos concretos do seu negócio na seção de dados proibidos. Peça a duas pessoas da operação que leiam e digam o que não entenderam. Corrija.

  4. 04

    Crie as contas corporativas e desligue o treinamento

    Contrate os planos de equipe das ferramentas aprovadas e configure, onde existir, a opção de não usar as conversas para treinar o modelo. Centralize o acesso para poder revogar quando alguém sair.

  5. 05

    Treine a equipe em uma hora

    Reunião única: por que a política existe, as seis seções, três exemplos do que pode e três do que não pode, como reportar incidente. Colha as assinaturas ao final. Quem entra depois recebe a política no primeiro dia.

  6. 06

    Marque a primeira revisão

    Em 90 dias: o que apareceu de ferramenta nova, que incidente houve, que seção ninguém entendeu. Ajuste e recolha assinatura de novo só se a mudança for relevante. Depois, a cada seis meses.

O serviço de governança corporativa e de IA da Flow faz as seis etapas com a empresa: inventário, classificação de risco, política escrita, treinamento e calendário de revisão, com preço fechado. Para quem já tem agente de IA no ar, o mesmo trabalho inclui o registro das conversas e a regra de transferência para humano.

Como a política se relaciona com a LGPD e o PL 2338?

A política não é opcional porque a lei ainda não veio. A Lei 13.709/2018 (LGPD) já vale: exige base legal para tratar dado pessoal, inclusive quando o tratamento é feito por uma IA, exige transparência sobre o uso e garante, no artigo 20, o direito do titular de pedir revisão de decisão tomada unicamente por tratamento automatizado. Colar a lista de clientes em uma ferramenta de IA em conta pessoal é tratamento de dado pessoal sem controle — e a empresa, não o funcionário, responde.

O PL 2338/2023, aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e em análise na Câmara, adota abordagem por risco parecida com o Regulamento de IA da União Europeia: obrigações gerais de transparência, governança e registro para todos os sistemas, e exigências maiores para os de alto risco. A ANPD, enquanto isso, mantém IA entre os temas prioritários e opera um sandbox regulatório de IA e proteção de dados. A política de uso é o primeiro documento que qualquer dessas frentes vai pedir. Quem a tem hoje ajusta uma página quando a lei sair; quem não tem começa do zero sob pressão.

O que cada seção da política atende hoje e o que antecipa
Seção da políticaAtende hoje (LGPD)Antecipa (PL 2338, texto do Senado)
Ferramentas e conta corporativaControle sobre quem trata dado e onde (art. 46, medidas de segurança)Inventário de sistemas de IA em uso
Dados proibidosDado sensível e de menor com proteção reforçada (arts. 11 e 14)Classificação de risco por tipo de dado e uso
Revisão humanaDireito à revisão de decisão automatizada (art. 20)Supervisão humana em sistemas de risco
RegistroComprovação de conformidade e resposta a incidente (arts. 37 e 48)Trilha de registro e documentação do sistema
ResponsávelEncarregado de dados (art. 41)Responsável pela governança de IA

O que muda quando a empresa tem um agente de IA no atendimento?

A política acima trata do uso de IA pelas pessoas. Quando a empresa coloca um agente de IA falando com cliente (WhatsApp, site, e-mail), três seções ganham complemento. Em ferramentas: o agente entra na lista com a descrição do que faz e do que não faz. Em revisão humana: a regra de transferência (quando o agente passa para uma pessoa) e os assuntos que ele nunca responde sozinho (cancelamento, reclamação, dado de saúde, preço fora de tabela). Em registro: o histórico das conversas fica guardado por prazo definido, e o cliente é informado de que fala com um agente de IA e de como pedir atendimento humano. Esses complementos são escritos junto com a implantação do agente, não depois.

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Fontes consultadas

Perguntas frequentes

O que é uma política de uso de IA na empresa?

É o documento de uma página que define quais ferramentas de IA a equipe pode usar, em que conta, com quais dados, quando a resposta precisa de revisão humana, o que registrar e quem responde pela política. Serve para cumprir a LGPD hoje, evitar vazamento de dado de cliente e preparar a empresa para o PL 2338.

O que deve constar em uma política de uso de IA?

Seis seções: ferramentas permitidas (lista nominal), conta corporativa obrigatória com treinamento do modelo desligado, dados proibidos (CPF, saúde, bancário, senhas, contratos confidenciais, dados de menores), revisão humana obrigatória para respostas a cliente e decisões sobre pessoas, registro de conversas e incidentes, e responsável nomeado. Fecha com assinatura.

Pequena empresa precisa de política de uso de IA?

Sim, se alguém da equipe usa qualquer ferramenta de IA com dado de cliente, fornecedor ou funcionário, o que acontece na maioria das empresas hoje. A LGPD já responsabiliza a empresa pelo tratamento, e uma política de uma página é a forma mais barata de controlar. Levantamento citado pela SpaceMoney indica que só 29% das empresas têm uma.

Pode usar ChatGPT na empresa?

Pode, com regras: conta corporativa (não pessoal), opção de treinamento do modelo desligada, nenhum dado pessoal sensível ou contrato confidencial inserido, e revisão humana antes de enviar a resposta a cliente ou lançar em sistema. A política de uso de IA é o documento que formaliza essas regras para toda a equipe.

Quanto tempo leva para implantar uma política de uso de IA?

De duas a quatro semanas em uma empresa de até 80 pessoas: uma semana para o inventário do que já é usado e a classificação de risco, uma semana para redação e revisão com a operação, e uma a duas semanas para criar contas corporativas, treinar a equipe em uma reunião de uma hora e colher assinaturas.

A política de uso de IA é exigida pela LGPD?

A LGPD não cita “política de IA” pelo nome, mas exige medidas de segurança, base legal, transparência e revisão de decisões automatizadas (art. 20) para qualquer tratamento de dado pessoal, inclusive por IA. A política é a forma prática de demonstrar essas medidas. O PL 2338, em análise na Câmara, deve exigir inventário, governança e registro de sistemas de IA.

Quem deve ser o responsável pela política de uso de IA?

Um sócio ou gestor com autoridade para aprovar ferramenta, revogar acesso e receber incidentes. Em empresas que já têm encarregado de dados (LGPD), costuma ser a mesma pessoa. O responsável revisa a política a cada seis meses ou quando entra ferramenta nova, e é o contato nomeado no documento.

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