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Diagnóstico e gestão

Matriz GUT: como priorizar os problemas da empresa (com exemplo preenchido)

Matriz GUT é uma ferramenta de priorização que dá nota de 1 a 5 a cada problema em três critérios — gravidade (quanto custa), urgência (quanto tempo dá para esperar) e tendência (vai piorar?) — e multiplica as três. O maior produto é o primeiro a resolver. Em uma pequena empresa, 8 a 12 problemas são pontuados em uma hora.

Atualizado em · 8 min de leitura

Por Emilly Davantel

Toda empresa tem mais problemas do que tempo. O dono sabe de dez coisas que precisam ser resolvidas e, sem critério, resolve a que gritou mais alto na segunda-feira. A matriz GUT existe para trocar o grito por uma conta simples: três notas, uma multiplicação, uma ordem. Este guia explica o que é a matriz, como dar as notas sem viés, traz uma tabela preenchida com oito problemas típicos de uma empresa de 5 a 80 pessoas, mostra o passo a passo, os limites da ferramenta e como a Flow a usa no diagnóstico empresarial de sete dias.

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O que é a matriz GUT?

A matriz GUT é uma ferramenta da qualidade usada para classificar uma lista de problemas por prioridade. Cada problema recebe três notas de 1 a 5: Gravidade, Urgência e Tendência. As três notas são multiplicadas e o resultado, que vai de 1 a 125, define a ordem de ataque. A multiplicação, e não a soma, é o que faz a ferramenta funcionar: um problema grave, urgente e que piora (5 × 5 × 5 = 125) fica muito à frente de um problema mediano em tudo (3 × 3 × 3 = 27).

Escala de 1 a 5 para cada critério da matriz GUT
NotaGravidade (impacto se nada for feito)Urgência (tempo disponível para agir)Tendência (como evolui sem ação)
1Sem impacto relevantePode esperar mesesNão muda
2Impacto pequeno, localizadoPode esperar algumas semanasPiora devagar, em meses
3Impacto médio em uma áreaPrecisa agir neste mêsPiora em semanas
4Impacto grande, atinge cliente ou caixaPrecisa agir nesta semanaPiora rápido, em dias
5Impacto severo: perde cliente, dinheiro ou gera risco legalAção imediataJá está se agravando agora

Como fica a matriz GUT preenchida com problemas típicos de uma pequena empresa?

O exemplo abaixo reúne oito problemas que aparecem com frequência em diagnósticos de empresas de comércio e serviços. As notas são de um caso ilustrativo; na sua empresa, os mesmos problemas podem ter notas diferentes, e é exatamente isso que a matriz deve revelar.

Matriz GUT preenchida: oito problemas típicos de PME (caso ilustrativo)
#ProblemaGUTG × U × TOrdem
1Títulos vencidos sem cobrança: ninguém olha o contas a receber5541001º
2Pedidos do WhatsApp anotados em papel e digitados depois no sistema444642º
3Estoque do sistema não bate com a prateleira; compra por feeling434483º
4Só o sócio sabe fechar orçamento; vendas param quando ele viaja433364º
5Cliente espera mais de 2 horas por resposta no WhatsApp333275º
6Notas fiscais de compra lançadas com atraso; fechamento contábil atrasa323186º
7Cadastro de produto sem padrão: mesmo item com três nomes322127º
8Site desatualizado; preço diferente da loja22288º

Repare que o primeiro e o segundo colocados não são os mais visíveis no dia a dia — o WhatsApp lento (5º) é o que a equipe mais reclama. A matriz coloca a cobrança na frente porque custa dinheiro agora e piora a cada semana. Os três primeiros, somados, cobrem caixa, venda e estoque: é por onde o diagnóstico começa.

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Como fazer a matriz GUT passo a passo?

  1. 01

    Liste os problemas, não as soluções

    Escreva de 8 a 12 problemas como fatos observáveis: “títulos vencidos sem cobrança”, não “precisamos de um sistema de cobrança”. Solução na lista contamina a nota. Colete com a equipe, não só com o dono.

  2. 02

    Reúna de três a cinco pessoas de áreas diferentes

    Dono, financeiro, vendas, operação. Cada área vê gravidade e urgência de um jeito; a nota em grupo corrige o viés de quem sofre mais com o problema.

  3. 03

    Dê a nota de gravidade para todos antes de passar à urgência

    Um critério por vez, para toda a lista. Isso obriga a comparar problemas entre si (“este é mais grave que aquele?”) em vez de avaliar cada um isolado, o que infla as notas.

  4. 04

    Dê as notas de urgência e tendência

    Urgência é prazo: quanto tempo dá para esperar. Tendência é direção: vai piorar, ficar igual ou melhorar sozinho. Quando houver empate de opinião, peça um exemplo concreto da última vez que o problema aconteceu.

  5. 05

    Multiplique e ordene

    G × U × T para cada linha. Ordene do maior para o menor. Olhe o resultado e pergunte ao grupo: “faz sentido?”. Se um item parecer errado, revise a nota, não o resultado.

  6. 06

    Ataque os três primeiros

    Para cada um, uma ação, um responsável e uma data. O restante fica na lista com a nota, para a próxima rodada. Refaça a matriz em 90 dias: notas mudam quando problemas são resolvidos ou pioram.

quase 60%
das empresas brasileiras fecham nos primeiros cinco anos, segundo dado do IBGE citado pelo Sebrae PR; a falta de planejamento e de priorização do que resolver está entre as causas apontadas — fonte: Sebrae PR — A falta de planejamento é um dos vilões da mortalidade das empresas no Brasil

Quais são os limites da matriz GUT?

  • As notas são opinião. A matriz organiza a opinião, não a substitui por dado. Para problemas de caixa e venda, confirme com o número do sistema antes de fixar a nota.
  • Não considera esforço. Um problema com GUT 100 pode exigir seis meses e outro com GUT 48, uma tarde. Depois da GUT, cruze com esforço (matriz impacto × esforço) para montar a sequência de execução.
  • Não considera dependência. Às vezes o 3º colocado precisa ser resolvido antes do 1º (cadastro de produto antes do controle de estoque). A ordem da matriz é ponto de partida, não roteiro.
  • Inflação de notas. Quem avalia sozinho tende a dar 4 e 5 em tudo. Avalie em grupo, um critério por vez, comparando problemas entre si.
  • Lista mal escrita. Problema vago (“comunicação ruim”) recebe nota vaga. Reescreva como fato observável antes de pontuar.
  • Validade curta. A matriz é uma fotografia; em 90 dias, metade das notas muda. Refaça, não reutilize.

Como a Flow usa a matriz GUT no diagnóstico de 7 dias?

No diagnóstico empresarial em 7 dias, a matriz entra no quarto dia. Nos três primeiros, as entrevistas com o dono e as pessoas-chave e a leitura dos sistemas e planilhas reais produzem a lista de problemas como fatos, com o número que os comprova (títulos vencidos, pedidos redigitados por semana, divergência de estoque). No quarto dia, a consultora pontua a matriz com a empresa, em grupo, e cruza o resultado com o esforço estimado de cada item. O que sai dali é o mapa da operação em uma página e a matriz impacto × esforço que ordena o plano de 90 dias — com responsável, prazo e indicador para cada ação.

A diferença entre fazer a matriz sozinho e fazer no diagnóstico está na lista de entrada. Quem está dentro da empresa lista os problemas que vê; o diagnóstico lista também os que ninguém vê porque sempre foi assim — a planilha paralela, o atalho pelo WhatsApp, o cadastro duplicado. A matriz é a mesma; a lista é melhor.

O que fazer depois da matriz GUT?

A matriz diz o que resolver primeiro; não diz como. Para cada um dos três primeiros problemas, o caminho costuma ser um destes: mapear o processo em que o problema vive (quando a causa é fluxo mal definido), criar uma regra ou um indicador (quando a causa é ninguém olhar) ou automatizar (quando a causa é tarefa repetitiva feita à mão). No exemplo acima, a cobrança pede regra e indicador primeiro e automação de lembretes depois; o pedido em papel pede mapeamento e integração; o estoque pede cadastro e contagem antes de qualquer sistema. Em todos os casos, a ordem é a mesma: entender, padronizar, só então automatizar.

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Fontes consultadas

Perguntas frequentes

O que é a matriz GUT?

É uma ferramenta de priorização que dá nota de 1 a 5 a cada problema em três critérios: gravidade (impacto se nada for feito), urgência (tempo disponível para agir) e tendência (se piora, fica igual ou melhora). As três notas são multiplicadas e o resultado, de 1 a 125, define a ordem em que os problemas devem ser resolvidos.

Como calcular a matriz GUT?

Para cada problema, multiplique as notas de gravidade, urgência e tendência: G × U × T. Um problema com notas 5, 4 e 4 tem 80 pontos; um com 3, 3 e 2 tem 18. Ordene do maior para o menor. Use multiplicação, não soma: a soma gera muitos empates e não separa os problemas críticos dos medianos.

Qual a diferença entre gravidade, urgência e tendência?

Gravidade é o tamanho do impacto se o problema não for resolvido: dinheiro, cliente, risco legal. Urgência é o prazo: quanto tempo dá para esperar antes de agir. Tendência é a direção: se o problema piora rápido, piora devagar, fica igual ou melhora sozinho. Um problema pode ser grave e não urgente, ou urgente e pouco grave.

Quantos problemas colocar na matriz GUT?

De 8 a 12. Menos que isso, não há o que priorizar; mais que isso, a reunião não termina e as notas perdem qualidade. Se a lista passa de 15, agrupe problemas do mesmo processo em um item ou faça uma matriz por área e depois uma matriz geral com os primeiros de cada uma.

Quem deve preencher a matriz GUT?

Um grupo de três a cinco pessoas de áreas diferentes: dono, financeiro, vendas e operação. Avaliar sozinho infla as notas e reflete só a dor de quem avalia. Pontue um critério por vez para toda a lista, comparando os problemas entre si, e peça exemplo concreto quando houver divergência.

Matriz GUT e matriz impacto × esforço: qual usar?

As duas, em sequência. A GUT ordena os problemas por importância (gravidade, urgência, tendência), mas ignora quanto custa resolver. A matriz impacto × esforço pega os primeiros da GUT e cruza com o esforço estimado, para começar pelo que tem alto impacto e baixo esforço. A GUT diz o quê; a impacto × esforço diz em que ordem executar.

Com que frequência refazer a matriz GUT?

A cada 90 dias ou quando um problema do topo for resolvido. A matriz é uma fotografia: em três meses, parte dos problemas foi resolvida, outros pioraram e novos apareceram. Refazer leva uma hora e mantém o plano de ação alinhado com a realidade, em vez de com a lista de três meses atrás.

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